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quarta-feira, 16 de abril de 2025

Diferença entre autoestima saudável e egocentrismo exacerbado

Dra. Andréa Ladislau / Psicanalista
Em tempos de extrema exaltação e culto da imagem, se faz necessário a compreensão da diferença sútil, entre a autoestima saudável e o egocentrismo destrutivo. Não é difícil identificar em nosso meio de convívio, aquelas pessoas que acreditam que a terra gira ao redor delas. Convictas que são as mais importantes e não se abalam com a rejeição social provocada por seus hábitos e comportamentos inadequados.

A autoestima favorece o bem estar físico e mental, pois contribui para uma relação positiva consigo mesmo. Facilita o entendimento do “eu” e alimenta uma comunicação mais assertiva com o outro. Além de auxiliar no reconhecimento realista de suas habilidades, qualidades e limitações.

Quem possui a autoestima elevada, sem exageros, não corre o risco de viver uma eterna busca por validação externa. Isso acontece, porque o nível de segurança desse indivíduo é satisfatório e saudável, o que ajuda a promover a capacidade de se autovalorizar sem precisar diminuir quem está à sua volta.

Também são capazes de ser empáticos, pelo simples fato de “se aceitarem”.

Já o egocêntrico no fundo, é inseguro e não gosta realmente de si, apesar de se autoproclamar perfeito e cheio de amor próprio. A verdade é que distorce o autoconceito negativo que insiste em esconder.

Exige validação e gosta de ser bajulado, reconhecido e admirado por todos, tornando as relações cada vez mais difíceis. A auto comparação é um dos mecanismos do egocêntrico, para se colocar como superior em relação ao outro.

Outro fator comum é a resistência às críticas, confrontadas, muitas vezes, com comportamentos arrogantes e abusivos, típico de quem possui a autoestima baixa.

E não menos importante, temos o vitimismo como uma das características de um egocêntrico que sofre eternamente, e se faz de vítima para ganhar a atenção de quem está à sua volta.

Estudos sobre os tipos de personalidades mostram que o comportamento egocêntrico revela uma necessidade de fuga da realidade e uma espécie de mecanismo de defesa, utilizado para camuflar fragilidades e inseguranças.

Motivo pelo qual, grande parte das relações interpessoais desse indivíduo, são difíceis, o que justifica o fato de que, a grande maioria dos egocêntricos vive sozinho, isolado, pois basicamente faz de seu mundo um lugar de reprovação e crítica, afastando a todos.

Mas como conviver com pessoas egocêntricas sem adoecer emocionalmente? Isso é possível? Sim, é possível desde que os limites estejam claros dentro da relação de convivência.

Respeito, firmeza, posicionamento e construção de espaços para dizer “Não”, sem sentir culpa, são fundamentais para enfraquecer as ações destrutivas de quem entende que o sol gira em torno de si.

Outra atitude fundamental é não alimentar expectativas em relação às atitudes das pessoas. Cada um oferta o que tem, o que aprendeu. E o principal, é não se deixar afetar por ações e atitudes tóxicas. Não entre no jogo da comparação e competição instaurado por alguém que, por falta de maturidade, usa de artifícios para diminuir e menosprezar o outro.

Gerencie suas emoções e valorize seus sentimentos, sem querer salvar o mundo e consertar as pessoas. Ninguém muda ninguém, e o egocêntrico convicto, sempre lança mão da manipulação emocional para atingir seus objetivos perversos.

Enfim, o ideal é trabalhar o autoconhecimento e compreender a necessidade de reconhecimento de suas forças e fraquezas, além de potencializar, com bons hábitos e comportamentos, uma autoestima saudável, consciente de seu valor e de seus limites.

Pois, para se ter uma saúde mental equilibrada e construir relações positivas, não vale a pena alimentar o ego e insistir em provar ao mundo seu valor através de uma superioridade fantasiosa, que acredita possuir em relação aos demais.

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