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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

'Gigante do agro' em MT admite propina de R$ 6,2 milhões a fiscal da Receita Federal

Indícios de Propina| Gigante do AGRO Admite Irregularidades e Planeja Revisão de Balanços
Imagem: Reprodução
A Caramuru Alimentos, uma das gigantes do agronegócio brasileiro, admitiu na quinta-feira, 13 de fevereiro, a existência de “indícios de pagamentos” de R$ 6,2 milhões em propinas a um fiscal da Receita Federal por parte de seus funcionários. Esses pagamentos seriam relativos a “quatro potenciais operações” para evitar autuações tributárias relacionadas ao recolhimento de PIS/Cofins. Em consequência, a empresa anunciou a revisão dos seus balanços entre 2021 e 2023, que poderão ser reapresentados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

As inforações são do portal AGFeed, e as investigações revelaram que os pagamentos ocorreram entre 2014 e 2017. No entanto, a revisão a partir de 2021 coincide com o processo de abertura de capital da Caramuru, que, embora ainda não tenha realizado sua oferta pública de ações, continua listada como “Categoria A” na CVM para a emissão de títulos de valores mobiliários.

Em resposta ao ocorrido, três funcionários foram desligados da companhia. A Caramuru informou que, por questões éticas, não divulgará os nomes dos envolvidos. Além disso, a empresa não comentou se o caso tem relação com as renúncias, em dezembro passado, do então diretor-presidente Júlio César da Costa e do diretor de Logística e Porto Antônio Ismael Ballan.

Os balanços serão revisados pela Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes, que já havia auditado a empresa no período. A Caramuru anunciou ainda a substituição da Deloitte pela Ernst & Young Auditores Independentes para as auditorias financeiras de 2024. Segundo a empresa, os impactos financeiros identificados até o momento são irrelevantes para suas demonstrações financeiras.

A descoberta dos indícios ocorreu de forma quase acidental, durante uma investigação interna iniciada após uma denúncia anônima recebida pela Deloitte sobre práticas de gestão tributária e operacional. A investigação revelou trocas de mensagens entre funcionários da Caramuru e o fiscal, onde o achaque era evidente.

O diretor-presidente Marcus Thieme afirmou que, apesar do escândalo, os resultados da companhia em 2024 foram positivos, com lucro superior a 2023, boa geração de caixa e liquidez robusta. A Caramuru, que relatou um faturamento de R$ 7,59 bilhões em 2023, continua otimista quanto às suas operações futuras, especialmente com a expectativa gerada pelo programa Combustível do Futuro.

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