Em discurso no Arizona, republicano sugeriu que pode, inclusive, realizar uma incursão com tropas no território iraniano para extrair o material
Trump durante o comício em Phoenix, no Arizona | Reprodução/YouTube

SBT News
Mesmo otimista com avanços recentes nas tratativas com o Irã para pôr fim em definitivo à guerra, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que vai pegar “de um jeito ou de outro” o urânio enriquecido do país persa, depois de afirmar na quinta (16) que o regime havia concordado em ceder o material usado para fabricar bombas nucleares de forma voluntária. Trump discursou nesta sexta-feira (17) a apoiadores em Phoenix, no Arizona.
O Irã nega a afirmação. “A transferência do urânio enriquecido para os Estados Unidos nunca foi sugerido em negociações", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, à TV estatal também nesta sexta.
Trump tem citado o material como “poeira nuclear". A versão oficial do governo americano é de que operações realizadas com bombardeiros B-2 desde junho do ano passado aniquilaram as capacidades nucleares iranianas, mas deixaram parte do material enterrado no subsolo. O Irã não comenta.
O republicano frisou que os EUA encaram a manutenção do programa nuclear da teocracia como um risco à segurança global e insistem no desmantelamento de qualquer capacidade de produção de uma bomba atômica. Nesse sentido, Trump sugeriu que, caso não consiga a concessão do urânio “por bem”, poderia autorizar uma incursão dentro do território iraniano com o uso de escavadores para recuperar o material.
“Vocês sabem como vamos conseguir essa poeira? Nós pegaremos de qualquer forma. Mas pegar dessa maneira [com uso de tropas] é um pouco mais perigoso. Mas nós vamos pegá-la de um jeito ou de outro", disse o republicano durante o comício.
Trump também comentou sobre a reabertura do Estreito de Ormuz por parte do Irã – embora a Marinha dos EUA mantenha o bloqueio a embarcações iranianas. Ele aproveitou o episódio para criticar novamente a Organização do Atlântico Norte (Otan) por se esquivar de tomar partido nos esforços para manter o estreito aberto para a circulação de petróleo e gás natural.
“Agora que a situação do Estreito de Ormuz está quase resolvida, eu recebi uma ligação da Otan perguntando se queríamos alguma ajuda. Muito obrigado, Otan. E eu falei para eles que eu queria a ajuda há dois meses, mas agora eu realmente não quero mais, porque eles foram completamente inúteis quando precisamos", disparou.
França e Reino Unido tem articulado junto a outros aliados europeus uma missão de caráter neutro para manter a rota aberta.
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