Monique de Carvalho / SNB

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que realmente é petróleo o líquido escuro encontrado em um sítio em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará. A substância apareceu enquanto o agricultor Sidrônio Moreira perfurava o terreno em busca de água para a família.
O caso começou em novembro de 2024 e chamou atenção depois que vídeos da perfuração passaram a circular. A família avisou a ANP em julho de 2025, e os testes oficiais foram concluídos agora, em maio de 2026. O resultado confirmou a suspeita levantada inicialmente pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE).
Além da descoberta incomum, um detalhe despertou curiosidade entre os técnicos: o petróleo surgiu a aproximadamente 40 metros de profundidade, considerada rasa para esse tipo de ocorrência. A partir de agora, a área passará por novos estudos para avaliar o tamanho da reserva e a possibilidade de exploração no futuro.
Descoberta inesperada
Tudo começou quando Sidrônio decidiu abrir um poço artesiano no sítio para tentar resolver o problema de abastecimento de água da família. A casa não contava com água encanada regular, e a expectativa era encontrar um reservatório subterrâneo.
Durante a perfuração, porém, começou a sair um líquido preto, espesso e com cheiro parecido com combustível. Em um primeiro momento, houve comemoração no local porque a equipe acreditou que finalmente havia encontrado água.
Com o passar dos dias, a aparência do material levantou dúvidas. A família procurou o IFCE, que iniciou os primeiros testes para entender do que se tratava a substância encontrada no terreno.
Região fica perto de área petrolífera
Tabuleiro do Norte está localizado no Vale do Jaguaribe, a mais ou menos 210 quilômetros de Fortaleza. O município fica próximo da Bacia Potiguar, região conhecida pela produção de petróleo entre Ceará e Rio Grande do Norte.
Os primeiros exames feitos pelo IFCE apontaram características semelhantes às do petróleo encontrado em jazidas potiguares. Depois disso, a ANP passou a acompanhar o caso oficialmente.
Segundo a agência, situações como essa não são comuns, principalmente porque o material surgiu em uma profundidade relativamente baixa. A amostra analisada pela ANP foi coletada pelo IFCE, que acompanha a descoberta desde o início.
Área seguirá em análise
Mesmo com a confirmação do petróleo, a área ainda passará por várias etapas de avaliação. A ANP abriu um processo administrativo para estudar as condições geológicas da região e verificar se existe viabilidade para exploração comercial.
Esse tipo de processo costuma levar tempo. Além da quantidade de petróleo disponível, entram na análise fatores como custo da operação, impacto ambiental e qualidade do material encontrado.
Família voltou a receber água
Enquanto aguardava os resultados dos testes, a família continuou enfrentando dificuldades com o abastecimento de água. Depois da repercussão do caso, uma adutora antiga da cidade voltou a atender a propriedade no fim de março.
A ANP também orientou que a área do poço permaneça isolada neste momento. A recomendação é evitar contato com o material até que os estudos sejam concluídos.
Por enquanto, novas amostras não devem ser retiradas e o acesso ao local segue restrito.
Agricultor pode receber percentual no futuro
Embora o petróleo pertença à União, como determina a Constituição Federal, o proprietário do terreno pode receber uma compensação financeira caso exista exploração comercial no futuro.

Antes disso, porém, ainda será necessário concluir os estudos técnicos. A própria ANP informou que não há prazo definido para essa análise e que não existe garantia de que o local será explorado comercialmente.
Na foto estão Sidney Moreira (esquerda) e Sidrônio Moreira (direita) no sítio onde moram em Tabuleiro do Norte. — Foto: Gabriela Feitosa
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