Projeções iniciais mostram que referendo teve votação apertada contra a medida; proposta tiraria país de acordos de livre circulação de pessoas
SBT News
Bandeira da Suíça balançando com o vento (Khairul Abdullah/Flickr)

Os suíços devem rejeitar neste domingo (14) limitar a população local a 10 milhões, conforme projeções iniciais do instituto de pesquisa GFS Bern. Até as 9h30, o referendo sobre o tema tinha 51,8% de rejeição, com os votos já tendo sido contabilizados em 17 dos 26 cantões do país – similares aos estados brasileiros. A apuração pode ser acompanhada neste site.
Para ser aprovada, a proposta depende de maioria simples (ou seja, superar os 50% dos votos) e passar na maioria dos cantões (14 dos 26). O referendo vinha sendo chamado de "Swissexit" – em referência ao Brexit, em 2016, que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia alguns anos depois. Pesquisas de opinião recentes já previam um cenário apertado, mas apontavam corretamente para uma maioria contrária à limitação populacional.
Atualmente, a Suíça tem 9,1 milhão de pessoas. A proposta previa que, ao chegar a 9,5 milhões, o Conselho Federal e o parlamento deveriam tomar medidas para restringir a concessão de asilos e de reunião familiar. Também deveria invocar algumas medidas de salvaguardas em acordos internacionais que favorecem o crescimento demográfico.
Na prática, a aprovação significaria a renúncia futura a uma série de acordos fechados entre a Suíça e a União Europeia. Os suíços não integram o bloco econômico, mas possuem acordos de livre circulação de pessoas no chamado Espaço Schengen. Quando a marca de 10 milhões fosse atingida, a proposta previa que a Suíça teria que deixar esses acordos em até dois anos, em particular o tratado de livre circulação.
Conforme mostrou a Coluna do Renato Machado, do SBT News, o tema dividiu a população em campanhas ostensivas nas ruas, na mídia e nas redes sociais. Normalmente, os tradicionais referendos na Suíça – que abordam diferentes assuntos, desde compra de caças para as Forças Armadas até impostos – costumam ser discutidos em cartazes nas ruas.
Os apoiadores da medida, elaborada pela União Democrática do Centro, um partido da direita radical, citam que a estrutura social da Suíça não consegue atender à crescente população, além de atribuir aos imigrantes o aumento da violência.Por outro lado, os opositores apontavam que a economia dependia dos migrantes e que os serviços ficariam mais caros.
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