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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Pesquisa exclusiva mostra que 64,96% das empresas não têm política de equidade salarial

Levantamento com 485 empresas mostra que quase dois terços ainda não formalizaram diretrizes de equidade de gênero na remuneração
A Lei nº 14.611/2023 trata da igualdade salarial entre homens e mulheres e prevê a divulgação de relatórios de transparência pelas empresas. No entanto, 64,96% das companhias ainda não possuem nenhuma política de equidade salarial de gênero, mostra o estudo Políticas e Práticas de RH 2026, realizado pela Carreira Muller com 485 empresas de diferentes regiões e setores do país.

Do total, apenas 18,33% têm diretrizes formais voltadas a eliminar disparidades de salário entre profissionais em posições iguais.

As demais iniciativas voltadas às mulheres também aparecem em uma parcela pequena das empresas: apenas 16,98% das empresas entrevistadas têm diretrizes para tornar o ambiente mais inclusivo à presença feminina, 16,71% para estimular mulheres em cargos de liderança e 12,94% para critérios de promoção e mérito que reduzem o viés de gênero.

Onde as políticas de equidade salarial de gênero foram implementadas, os resultados ainda são desiguais. Questionadas sobre a efetividade dessas políticas, 32,56% das empresas as consideram parcialmente efetivas, 31,78% dizem que ainda não é possível avaliar e apenas 28,68% as classificam como muito efetivas, com resultados claros e mensuráveis.

Entre os resultados já observados, a redução da disparidade salarial entre homens e mulheres é citada por 39,53% e a maior equidade nos processos de promoção por 37,98%, enquanto 24,81% afirmam não ter observado nenhum resultado relevante até o momento.

A transparência exigida pela lei também avança de forma parcial. Entre as empresas com mais de 100 colaboradores, 41,49% afirmam ter divulgado o Relatório de Transparência Salarial interna e externamente e 28,66% somente externamente, enquanto 17,31% não fizeram a divulgação.

O recorte sobre equidade salarial de gênero também dialoga com a existência ou não de comitês formais dentro das empresas. Entre os comitês mapeados, o de Ética aparece em 40,70% das companhias, o de Governança em 32,35% e o de Pessoas e Remuneração com apenas 30,46%.

O levantamento também mapeou como as empresas estruturam sua estratégia salarial de forma mais ampla. Apenas 35,79% possuem estratégia formal conhecida por RH, Diretoria e Gestores, enquanto 22,34% têm estratégia formal conhecida somente por RH e Diretoria. Uma parcela menor, de 16,24%, afirma que a estratégia salarial formal é conhecida por todos os colaboradores.

O estudo também perguntou às empresas quais políticas e práticas de RH carecem de revisão. A Trilha de Carreira foi apontada por 51,07% das empresas, o Pacote de Benefícios por 40,64%, a Arquitetura de Cargos por 39,30% e as Descrições de Cargos por 39,04%.

De acordo com a Carreira Muller, esses números reforçam um cenário em que os processos de remuneração de parte das companhias pesquisadas ainda carecem de padronização, o que se conecta ao baixo percentual de políticas formais de equidade salarial de gênero identificado no mesmo levantamento.

“A equidade de gênero não se constrói por decreto ou canetada, mas pela coerência entre o que as empresas defendem e o que realmente praticam. Exige decisões consistentes sobre remuneração, reconhecimento e oportunidades de crescimento. O verdadeiro compromisso da liderança é construir uma cultura que valorize competências, assegure oportunidades justas e gere valor para as pessoas e para o negócio”, afirma Marco Schanoski, CEO da Carreira Muller.

O painel do estudo foi composto por empresas da região Sudeste, que representam 69,90% da amostra, seguidas pela região Sul, com 23,51%. Nordeste, Centro-Oeste e Norte somam, respectivamente, 3,92%, 2,06% e 0,62% dos respondentes. Em termos setoriais, Bens de Consumo é o segmento mais presente na pesquisa, com 11,55% das empresas, seguido por Serviços (8,45%) e Agronegócio (8,25%).

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