Presidente diz discutir medida com o Banco Central para conter o endividamento da população e cita avanço do Desenrola 3.0
Reuters / SBT
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Adriano Machado/Reuters - 01.10.2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (1º) que avalia adotar uma proibição a bancos para que não ofereçam mais de um cartão de crédito por pessoa para atacar o problema do endividamento da população.
Em entrevista ao Flow Podcast, Lula afirmou que vem tratando do assunto com a equipe econômica, declaração que ocorre em meio a um contexto em que o Banco Central tem sinalizado que vai adotar medidas macroprudenciais para enfrentar o que vê como um aumento exacerbado do endividamento.
"O povo gasta com mais facilidade o cartão de crédito. E ele só vai ver o rombo no final. Nós estamos discutindo com o Banco Central, nós vamos proibir os bancos (de) darem mais que um cartão de crédito para as pessoas", disse Lula ao podcast.
"Não é possível a gente permitir que a sociedade seja endividada da forma mais irresponsável possível. Nós vamos tentar cuidar disso com carinho."
Durante o podcast desta quinta-feira, Lula citou casos em que cartões são enviados a pessoas sem que elas os tenham solicitado.
Ainda no âmbito do endividamento das famílias brasileiras, Lula afirmou que o leilão de carteiras de dívidas previsto no programa Desenrola 3.0 deve ser adiantado em alguns dias e que os bancos devem "participar ativamente".
O Brasil tem 96 milhões de usuários de cartão de crédito, dos quais 52,8 milhões carregam saldos no rotativo ou em parcelamentos com cobrança de juros. As taxas de juros do crédito rotativo podem chegar a 15,1% ao mês.
No Relatório de Cidadania Financeira 2025, o BC informa que atualmente o brasileiro mantém, em média, 6,7 relacionamentos com instituições financeiras diferentes, um forte crescimento em relação ao início da década.
Em agosto, a Reuters já havia reportado que o Banco Central estuda medidas para conter o endividamento da população e planejava, primeiro, implementar limites para os bancos antes de se debruçar sobre um eventual teto para o comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário