
Lorena Fassina / SNB
Estudo investigou a urolitina A, composto produzido pelo organismo a partir de substâncias presentes na romã e em outros alimentos. Foto: Reprodução: Canva
Um composto ligado à romã melhora função cardíaca em até 80% em um novo estudo sobre insuficiência cardíaca. A descoberta de cientistas do King’s College London envolve a urolitina A, substância produzida pelo organismo a partir de compostos presentes na romã, nas nozes e em algumas frutas vermelhas.
O composto é a urolitina A, produzida no intestino quando bactérias processam substâncias encontradas nesses alimentos. Nos experimentos, ela ajudou o coração a relaxar melhor entre os batimentos, além de reduzir a fibrose e alterações prejudiciais no músculo cardíaco.
Os resultados são promissores, mas ainda não significam que comer romã possa tratar a insuficiência cardíaca. O estudo, publicado na revista científica Science Advances e financiado pela British Heart Foundation, foi realizado em modelos animais e em tecido cardíaco humano desenvolvido em laboratório. Por isso, os pesquisadores afirmam que ainda são necessários testes clínicos com pacientes para saber se o benefício também ocorre em seres humanos.
Como o composto agiu no coração
O estudo analisou a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, conhecida pela sigla ICFEp. Nesse tipo da doença, o coração continua conseguindo bombear o sangue, mas o músculo fica mais rígido e tem dificuldade para relaxar e se encher adequadamente entre os batimentos.
A condição representa aproximadamente metade dos casos de insuficiência cardíaca e pode provocar sintomas como falta de ar, cansaço e dificuldade para realizar exercícios.
Nos modelos estudados pelos pesquisadores, a urolitina A melhorou a capacidade de relaxamento do coração e reduziu sinais associados ao processo de fibrose, que deixa o tecido cardíaco mais rígido.
Os cientistas também observaram benefícios relacionados às mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia das células. A urolitina A estimulou mecanismos envolvidos na remoção de mitocôndrias danificadas e ajudou a recuperar o funcionamento dessas estruturas.
Resultados também em células humanas
Além dos testes em animais, os pesquisadores estudaram cardiomiócitos humanos produzidos a partir de células-tronco.
Neles, o tratamento com urolitina A reduziu alterações relacionadas à fibrose e ajudou a restaurar processos importantes para a qualidade das mitocôndrias.
Os resultados reforçam o potencial do composto como ponto de partida para o desenvolvimento de uma nova estratégia contra a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores ressaltam que a descoberta ainda precisa avançar antes de chegar aos pacientes.
Isso também significa que não há evidência para recomendar o consumo de romã, nozes ou frutas vermelhas como tratamento para pessoas com insuficiência cardíaca.
A quantidade de urolitina A produzida pelo organismo pode variar de uma pessoa para outra, inclusive de acordo com as bactérias presentes no intestino.
O próximo passo é investigar se os efeitos observados nos experimentos podem ser reproduzidos com segurança em seres humanos. Se os resultados se confirmarem em estudos clínicos, a urolitina A poderá ajudar no desenvolvimento de novas abordagens para uma doença que afeta milhões de pessoas no mundo.
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