Emily Normandin-Parker, de 23 anos, voltava para casa com uma amiga quando ela passou mal e ambas foram deixadas pelo motorista em uma área insegura
Sofia Pilagallo / sbtnews
Emily Normandin-Parker, jovem de 23 anos que morreu atropelada após ser abandonada em uma rodovia por um motorista da Uber | Foto: Reprodução/Facebook

Emily Normandin-Parker voltava para casa em um carro da Uber com uma amiga, Luna Moore, após uma noite fora, quando Luna passou mal durante a viagem. Segundo a decisão arbitral, o motorista Vu Tran parou em uma área próxima a uma saída da State Route 73, no condado de Orange, e deixou as duas passageiras no local.
O árbitro do caso, o juiz aposentado Richard A. Stone, classificou o local onde elas foram deixadas como uma área "insegura e ilegal". Ele concluiu que Tran poderia ter seguido até uma saída próxima e parado em um ponto adequado, mas deixou as jovens, visivelmente alcoolizadas, na rodovia após discutir com uma delas sobre uma taxa de limpeza.
Depois de ser deixada no local, Emily entrou na pista e acabou atingida por um veículo, morrendo em decorrência do atropelamento. Dados de GPS apresentados no processo indicaram que Tran passou próximo ao local onde o corpo da jovem estava antes de pegar a saída seguinte e entrar em contato com a Uber para solicitar o pagamento da taxa de limpeza.
Advogados da família apresentaram durante a arbitragem registros de reclamações anteriores feitas à Uber sobre a condução de Tran. Segundo os pais de Emily, passageiros haviam relatado direção irregular, circulação na contramão e situações em que o motorista quase atingiu pedestres.
O árbitro considerou a Uber responsável pelas ações do motorista e rejeitou o argumento da empresa de que atua apenas como uma plataforma de tecnologia que conecta passageiros e condutores. A decisão também afastou a alegação de que a legislação da Califórnia que classifica motoristas de aplicativos como prestadores independentes impediria a responsabilização da companhia.
Após cinco dias de arbitragem, Stone determinou o pagamento de US$ 20 milhões (R$ 102,8 milhões) para cada um dos pais da jovem, Carol Normandin e Ken Parker. A amiga que estava com Emily recebeu separadamente uma indenização de US$ 300 mil (R$ 1,5 milhão).
Em nota à "ABC News", a Uber afirmou que nenhuma família deveria passar pela perda de um filho e que seus pensamentos estão com os parentes de Emily. A empresa, no entanto, disse discordar da decisão que a responsabilizou legalmente pelo episódio e acrescentou que vem reforçando suas medidas de segurança, incluindo orientações a motoristas para evitar desembarques em locais perigosos.
Os pais de Emily criaram uma fundação em homenagem à filha para defender medidas de segurança no transporte por aplicativo e cobrar responsabilidade de empresas do setor. Segundo os advogados da família, parte dos recursos recebidos com a arbitragem será destinada à organização.
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