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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Santos é condenado a pagar mais de R$ 18 milhões ao Cuiabá

Presidente do Dourado detonou o Peixe e citou outros clubes devedores
Vinícius Daniel•galaticosonline
Joaquim defendeu o Cuiabá de 2021 a 2023 | Foto: Divulgação/Cuiabá
O Santos foi condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão ligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), nesta quarta-feira (23), por uma dívida de R$ 18.616.377,46 com o Cuiabá. A cobrança está relacionada à negociação do zagueiro Joaquim. O defensor deixou o Cuiabá rumo ao Santos em 2023 e, posteriormente, foi vendido pelo clube paulista ao Tigres, do México, onde permanece atualmente.

Segundo o Cuiabá, a última parcela prevista no acordo venceu em janeiro do ano passado. O clube mato-grossense afirma ainda que aceitou reduzir uma parte significativa do valor que tinha a receber, mas que o Santos quitou apenas uma das cinco novas parcelas estabelecidas.

Em comunicado publicado nas redes sociais, o Cuiabá afirmou que espera o pagamento imediato da dívida e criticou a possibilidade de novos recursos serem utilizados para prolongar a resolução do caso.

“A sentença não paga salário. O que o clube espera agora é o pagamento imediato. O Cuiabá deixa registrado desde já que não aceitará em silêncio o uso de recursos e expedientes processuais com o único objetivo de adiar mais uma vez o que é devido há quase dois anos”, publicou o clube.

Na mesma manifestação, o Cuiabá mencionou débitos envolvendo outras equipes do futebol brasileiro, entre elas Corinthians, Grêmio e Sport. Em relação ao Corinthians, o clube informou que a parcela de julho referente à venda do volante Raniele está em atraso. A negociação já está incluída no plano coletivo da CNRD.

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, também criticou a situação envolvendo Santos, Corinthians e Vasco. Segundo ele, clubes que possuem dívidas com outras equipes deveriam cumprir suas obrigações financeiras. “Se o Corinthians estivesse ameaçado de perder três pontos na tabela, esse dinheiro já tinha saído de algum lugar. O Santos e o Vasco, que também deram um calote gigantesco, vão permanecer na Série A este ano através de um estelionato esportivo”, declarou.

Por meio de nota oficial, o Santos contestou a decisão do Cuiabá de tornar o caso público. O clube paulista argumentou que a exposição da situação não interfere nos procedimentos legais e defendeu a manutenção das relações institucionais entre as equipes.

“A exposição pública do caso não contribui para a sua solução, uma vez que não altera os trâmites legais a serem adotados. O Santos FC entende que a preservação das relações institucionais entre as agremiações é fundamental para a construção de soluções verdadeiramente sustentáveis para o futebol brasileiro”, afirmou o Santos.

Nota oficial do Cuiabá na íntegra:
"O Cuiabá Esporte Clube informa que, nesta data, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF condenou o Santos Futebol Clube a pagar ao Cuiabá R$ 18.616.377,46.

A dívida vem da venda do zagueiro Joaquim ao Santos, em fevereiro de 2023, e da participação do Cuiabá na revenda do atleta ao Tigres, do México. A última parcela venceu em janeiro de 2025. Para facilitar o acerto, o Cuiabá renegociou e abriu mão de parte relevante do que tinha a receber. Mesmo assim, o Santos pagou apenas a primeira das cinco novas parcelas. O Cuiabá acionou a CNRD em maio de 2025, e a sentença levou dezesseis meses para sair.

O Cuiabá recebe a decisão com respeito, mas não com alívio. Sentença não paga salário. O que o clube espera agora é o pagamento imediato. O Santos ainda pode recorrer ao CBMA. O Cuiabá deixa registrado desde já que não aceitará em silêncio o uso de recursos e expedientes processuais com o único objetivo de adiar mais uma vez o que é devido há quase dois anos. O histórico recente preocupa: nas cobranças movidas pelo Arouca e pelo Mônaco perante a FIFA, o Santos só pagou depois de receber transfer ban, embora já estivesse condenado havia meses. No mesmo período, seguiu contratando.

O caso Santos não é isolado:
Corinthians: a dívida pela venda do volante Raniele foi incluída pela própria CNRD em plano coletivo de 24 parcelas trimestrais, até 2031, corrigidas apenas pela inflação e sem juros. São condições extremamente favoráveis ao devedor e duríssimas para o credor. Mesmo assim, a parcela vencida em 17 de julho segue em aberto.
Sport: deve cerca de R$ 6 milhões pela venda do lateral Matheus Alexandre.
Grêmio: o Cuiabá aguarda julgamento sobre a inclusão de um crédito de aproximadamente R$ 900 mil em plano de pagamento coletivo.
Outros clubes também devem valores menores.

Somados, os créditos do Cuiabá contra clubes brasileiros ultrapassam R$ 40 milhões".

Nota oficial do Santos na íntegra:
"Em relação às obrigações envolvendo o Cuiabá E.C., contraídas em 2023, o Santos Futebol Clube esclarece que a questão vem sendo tratada pelos meios próprios e nos fóruns institucionais competentes, nos quais são apresentadas e analisadas as alegações e manifestações cabíveis de ambas as partes.

A exposição pública do caso não contribui para a sua solução, uma vez que não altera os trâmites legais a serem adotados.

O Santos FC entende a preservação das relações institucionais entre as agremiações é fundamental para a construção de soluções verdadeiramente sustentáveis para o futebol brasileiro.

O Clube reafirma seu compromisso com o cumprimento de suas obrigações financeiras e a resolução das dívidas dentro de limites de prazos e processos do planejamento, e com os princípios de responsabilidade e equilíbrio, que orientam o Fair Play Financeiro da CBF.

Da mesma forma, o Santos FC possui valores relevantes a receber de outros clubes do futebol brasileiro. No início de 2026, os créditos a receber pelo Clube decorrentes de diferentes operações alcançavam aproximadamente R$ 170 milhões, demonstrando que o endividamento entre as agremiações constitui um desafio estrutural do ecossistema do futebol brasileiro, e não uma realidade exclusiva de determinada entidade de prática desportiva."

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