Thomas Leuri Souza

Elas são maioria nas urnas. Mas ainda são minoria nas mesas onde se escolhem os governos, os orçamentos e as prioridades públicas.
As mulheres vão decidir as próximas eleições.
São maioria do eleitorado. Os políticos sabem disso. Por isso, quando a campanha se aproxima, elas aparecem com frequência nos discursos, nas promessas, nos programas de governo, nas fotografias e nas peças publicitárias.
A pergunta é menos confortável:

A diferença entre uma coisa e outra não é pequena.
É a diferença entre fazer política para as mulheres e dividir o poder com as mulheres.
A violência contra a mulher tornou-se um dos temas mais recorrentes das campanhas. E não sem razão. O feminicídio representa a forma extrema de uma violência que atravessa relações, famílias e instituições. É o ponto final de uma cadeia que pode começar muito antes: na desvalorização, no controle, na restrição da autonomia, na tentativa de decidir pela mulher.
Mas existe uma pergunta anterior ao feminicídio.
Quem decide sobre a vida das mulheres?
A pergunta parece simples. A resposta, nem sempre.
Quando um governo anuncia políticas para as mulheres, é preciso olhar também para quem formula essas políticas. Quando um candidato fala sobre proteção, é preciso observar quem participa das decisões. Quando aparecem esposas, mães, filhas e outras mulheres nas campanhas, vale olhar além da fotografia.
Qual é o lugar delas na estrutura de poder?
Porque uma mulher pode estar em milhares de cartazes e continuar distante da sala onde o orçamento é decidido.
Pode estar ao lado do candidato na propaganda e não estar ao lado dele na definição das prioridades de governo.
Pode ser apresentada como símbolo de família e, ao mesmo tempo, permanecer ausente dos espaços em que se decide o destino da cidade, do Estado ou do país.
É aí que a política revela uma contradição antiga. Mais no ipiauonline
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