Fenômeno climático já está influenciando o regime de chuvas e pode agravar os impactos sobre a agricultura

Feira de Santana já começa a sentir os efeitos do El Niño, fenômeno climático provocado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O cenário aumenta a preocupação com a redução das chuvas e a elevação das temperaturas, principalmente, na zona rural, onde agricultores já registram perdas em algumas culturas.
Em entrevista à reportagem, o ambientalista João Dias explicou que o fenômeno ocorre naturalmente, mas que seus efeitos podem ser agravados pelo atual cenário de mudanças climáticas e aquecimento global. Segundo ele, a influência do El Niño já pode ser percebida em diferentes regiões do Nordeste e também em Feira de Santana. Na zona rural do município, localidades como Poço, Bonfim de Feira e Jaguara já enfrentam dificuldades com a produção agrícola. “Já perdemos milho e feijão. O milho estava praticamente no ponto de colheita, mas parou de chover. E vamos passar a ter dificuldade também com o gado, porque o pasto depende da chuva”, afirmou João Dias.
O ambientalista alerta que a continuidade da estiagem pode provocar impactos ainda maiores nos próximos meses, principalmente na disponibilidade de água e na alimentação dos animais. A preocupação também se estende aos agricultores que dependem diretamente das condições climáticas para garantir a produção.
Na área urbana, João Dias destaca que Feira de Santana possui um importante aliado natural para amenizar os efeitos do calor: as lagoas. Segundo ele, os corpos d’água contribuem para aumentar a umidade do ar e ajudam a reduzir a sensação térmica e os efeitos das ilhas de calor. “A população pode ajudar muito plantando árvores, não cortando as que já existem e ajudando o município a cuidar delas. Também é importante preservar nossas lagoas, nossas nascentes e nossas árvores”, ressaltou.
Para o ambientalista, a arborização urbana também precisa ser planejada. A escolha das espécies deve levar em consideração o bioma da região e a estrutura existente no local, como redes de água, esgoto, drenagem e fiação elétrica.
ORIENTAÇÃO
João Dias recomenda que a população procure orientação técnica antes de plantar árvores, principalmente em calçadas e áreas próximas a imóveis. Segundo ele, algumas espécies possuem raízes muito extensas e podem provocar danos às estruturas urbanas. Mais no jornalfolhadoestado
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