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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Conheça Giullia, a primeira aluna preta e surda na Engenharia de Produção da UFF

Lorena Fassina / SNB
Primeira aluna preta e surda, Giullia Cardim, de 26 anos, faz história no curso de Engenharia de Produção da UFF, no Rio de Janeiro. - Foto: Arquivo pessoal

Giullia Cardim, de 26 anos, está fazendo história como a primeira aluna preta e surda na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela está no curso de Engenharia de Produção e, atualmente, a única pessoa com deficiência auditiva na turma. Uma conquista que veio acompanhada de muitos desafios para conseguir chegar e permanecer em uma universidade federal.

Natural do estado do Rio de Janeiro, Giullia utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a leitura labial para se comunicar. Na graduação, precisou enfrentar desde a falta de intérpretes até dificuldades para conseguir adaptações em aulas e avaliações. A própria UFF confirma a participação da jovem em projetos ligados à comunidade surda e a lista como estudante de Engenharia de Produção na Plataforma Libras Acadêmica.

“Quando descobri que era a primeira mulher negra e surda do curso de Engenharia de Produção da UFF e a única estudante surda da turma, senti muito orgulho e também uma grande responsabilidade”, contou Giullia ao Só Notícia Boa.

Uma luta diária por acessibilidade
Chegar à Engenharia de Produção já era um sonho. Permanecer no curso, porém, trouxe uma nova batalha. Giullia conta que a falta de acessibilidade foi o maior obstáculo que encontrou dentro do ensino superior.

“O maior desafio para chegar à Engenharia de Produção na UFF foi enfrentar a falta de acessibilidade. Como estudante surda, muitas vezes precisei lutar por intérprete de Libras, adaptação das aulas e das avaliações”, explicou.

A universidade possui uma Secretaria de Acessibilidade e Inclusão e oferece serviços de tradução e interpretação em Libras para aulas e outras atividades acadêmicas. A própria Escola de Engenharia também mantém uma Coordenação de Inclusão voltada ao acolhimento e à permanência dos estudantes. Ainda assim, a experiência de Giullia mostra que garantir esses recursos no dia a dia pode exigir insistência do próprio aluno.

Preconceito não a fez desistir
Além das barreiras de comunicação, Giullia conta que também precisou enfrentar preconceito ao longo da trajetória. Mas ela enfrentou, decidiu continuar no curso e lutar pelo sonho de se formar engenheira de produção.

O curso que frequenta é presencial e integral, oferecido pela Escola de Engenharia da UFF, em Niterói (RJ). A graduação tem duração prevista de dez semestres e prepara os estudantes para atuar no planejamento, gerenciamento e melhoria de sistemas de produção e serviços.

Para Giullia, ocupar esse espaço tem a ver com representatividade: “Percebi que minha trajetória poderia abrir caminhos e inspirar outras pessoas a acreditarem que também podem conquistar seus objetivos”, afirmou. Mais no sonoticiaboa

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