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terça-feira, 7 de julho de 2026

Turquia impede entrada de cruzeiro LGBTQ+ e muda roteiro da viagem

Navio faria escalas em Kusadasi e Istambul, mas autoridades impediram a atracação. Itinerário foi alterado e artista Patti LuPone criticou a decisão
Navio de cruzeiro Scarlet Lady. Foto: Virgin Voyages/Divulgação
As autoridades da Turquia impediram que um cruzeiro com cerca de 2 mil passageiros LGBTQ+ atracasse no país, alegando que a viagem não estaria alinhada aos “valores morais” e à estrutura social turca. O navio Scarlet Lady, da companhia Virgin Voyages, teve o roteiro alterado após a decisão. *Com informações do portal UOL * Redação Folha Vitória

A embarcação havia partido de Atenas, na Grécia, para um cruzeiro de dez dias organizado pela empresa americana Atlantis Events. O itinerário previa escalas em Kusadasi e Istambul, na Turquia, antes de seguir viagem pelo Mediterrâneo.

Governo cita “preocupação pública”
Em comunicado, o governo provincial de Aydin, onde fica Kusadasi, informou que a parada foi cancelada após manifestações de preocupação da população local.

Segundo as autoridades, o cruzeiro teria sido fretado por grupos cujos comportamentos seriam incompatíveis com “os valores morais” e com a estrutura da sociedade turca.
Patti LuPone reage à decisão

A atriz e cantora Patti LuPone, que faria apresentações durante a viagem, afirmou ter ficado indignada com a decisão.

Nas redes sociais, a artista declarou que ficou “chocada” ao saber que o navio foi impedido de entrar na Turquia por causa do perfil dos passageiros e disse que continuará participando do cruzeiro, apesar da mudança de roteiro.

Cruzeiro já havia visitado a Turquia outras vezes
A Atlantis Events informou que esta não é a primeira vez que realiza viagens com escalas no país. Segundo a empresa, o Scarlet Lady já atracou em Istambul e Kusadasi em 13 ocasiões nos últimos 25 anos, sem registros de incidentes semelhantes.

Rich Campbell, presidente da organizadora, afirmou que esta foi a primeira vez, em 36 anos de operação da empresa, que um cruzeiro foi impedido de atracar por causa da identidade de seus passageiros.

Para ele, a decisão representa um precedente preocupante ao permitir que um país selecione quais turistas podem ou não entrar em seu território.

Itinerário foi alterado
Após a proibição, o cruzeiro substituiu as escalas na Turquia por paradas no Cairo, no Egito, e na ilha grega de Creta.

Segundo a empresa organizadora, a viagem tem caráter exclusivamente turístico e não possui finalidade política.

Direitos LGBTQ+ na Turquia
Embora a homossexualidade não seja considerada crime na Turquia, organizações de direitos humanos apontam o aumento da retórica contrária à comunidade LGBTQ+ nos últimos anos.

O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan já classificou pessoas LGBTQ+ como uma ameaça aos valores familiares, enquanto a Parada do Orgulho de Istambul permanece proibida desde 2015.

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