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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Lucélia Santos, a brasileira que interrompeu guerra na China e racionamento de energia em Cuba

Rinaldo de Oliveira /* SNB
Destaque na The Hollywood Reporter, Lucélia Santos, atriz de A Escrava Isaura, interrompeu guerra na China e racionamento de energia em Cuba. - Fotos: reprodução/ SIFF/ TV Globo

Ela é um orgulho do Brasil. A atriz Lucélia Santos voltou aos holofotes internacionais ao ganhar uma reportagem na revista americana The Hollywood Reporter, uma das publicações mais respeitadas da indústria do cinema e da televisão. Tudo pela história de amor da China por ela depois da novela A Escrava Isaura (1976 /TV Globo), que até hoje atravessa gerações.

Há mais de 40 anos Lucélia continua sendo uma das artistas brasileiras mais queridas no país e foi homenageada durante o Festival Internacional de Cinema de Xangai, no mês passado, onde participou de eventos culturais e falou sobre sua longa relação com o público chinês. Mas o sucesso da Isaura, a personagem escravizada vivida por Lucélia, foi muito além das telinhas.

Lucélia lembra que na China que havia cessar fogo na guerra contra a Bósnia (1992/1995) no horário de exibição da novela. “Eles combinavam que durante a novela não tinha bombardeio”, contou Lucélia Santos sorrindo, em entrevista a Cissa Guimarães, no programa Sem Censura da TV Brasil – no ano passado – desejando que acontece o mesmo em outra guerras atuais.

Cuba suspendia racionamento de energia durante a novela
Lucélia Santos tinha 19 anos quando gravou a Escrava Isaura. A novela começou a ser exibida na China quase 10 anos depois, em 1984. A história de luta por liberdade e amor da protagonista tocou profundamente a sociedade chinesa, que na época passava pelo início de seu processo de abertura.

E o verdadeiro fenômeno cultural não foi diferente em Cuba, onde a novela também foi exibida. O sucesso também foi tão grande que o racionamento de energia, imposto na época no país, era suspenso durante o horário de A Escrava Isaura. E o Aeroporto Internacional José Martí simplesmente não funcionava enquanto o folhetim estava no ar.

“O aeroporto parava durante a novela. [Eles diziam] a gente decola depois da novela, ok? E também não aterrissavam porque o aeroporto tinha que estar fechado durante a novela. Era muito doido”, contou Lucélia.

Embaixadora do Brasil na China
O sucesso da telenovela transformou Lucélia em uma verdadeira “embaixadora” cultural entre Brasil e China, papel que ela manteve ao longo das últimas quatro décadas

As ruas do país mais populoso do mundo esvaziavam na hora da exibição. O sofrimento da protagonista contra as injustiças ressoou fortemente com o público chinês.

Nunca recebeu direitos de exibição no exterior
A trama foi um fenômeno mundial, vendida para mais de 100 países, mas, segundo a atriz, a legislação brasileira da época não garantia repasse de direitos de imagem.
E ela já afirmou diversas vezes que nunca recebeu nenhum valor pelos direitos de exibição internacional ou direitos autorais pela reprise e venda da novela A Escrava Isaura no exterior.

Lucélia mencionou em entrevistas que chegou a lutar pelo recebimento, mas que os direitos prescreveram na Justiça por não terem sido reclamados no prazo legal estipulado após o início das exibições

Simplicidade que conquista
Na entrevista à The Hollywood Reporter, Lucélia contou que nunca se deixou levar pelo glamour da fama.

“É muito difícil para mim ser levada pelas fantasias de ser uma superestrela”, afirmou a atriz, destacando que leva uma vida simples e continua fazendo as tarefas de casa.

Aos 69 anos, Lucélia Santos segue como um dos maiores símbolos da dramaturgia brasileira no exterior e prova que talento e autenticidade não têm prazo de validade. Mais no sonoticiaboa

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