Pesquisa traz dados sobre comportamento social no Brasil
Alice Rodrigues*
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


“Esse estigma traz impactos enormes para a sociedade em geral: seja o medo de fazer o teste, o medo de tomar os medicamentos ou o medo criado pelo preconceito de conviver com pessoas que vivem com HIV”, conta o representante e um dos idealizadores do projeto, Gareth Thomas.
Segundo a plataforma, os avanços científicos são históricos, porém, o medo afasta as pessoas da testagem e do início do tratamento. Embora novas infecções por HIV e mortes relacionadas à Aids tenham atingido os menores níveis globais em 2025, para 21 países em três regiões, entre eles o Brasil, o número de casos aumentou.
De acordo com informações do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, que coleta dados do ano anterior, foram notificados 39.216 casos de infecção pelo HIV no país. A maioria, 38,4%, na região sudeste.
O Thomas acredita que a pesquisa é um trabalho importante para entender como diferentes lugares respondem a uma situação semelhante, e, a partir disso, pensar soluções para demandas locais.
“Toda vez que vamos a um novo país ou a uma nova região, fazemos uma pesquisa com os moradores locais para entender o trabalho que precisamos realizar ali, seja focado em uma determinada característica ou em um grupo específico”, conta ele, após desembarcar no Rio de Janeiro para a 26ª Conferência Internacional de Aids, maior evento global sobre a doença, sediado pela primeira vez no Brasil.
Desinformação
A pesquisa aponta que, para 36% dos brasileiros entrevistados, homens héteros não correm risco de contrair o HIV, crença que se repete para 37% do grupo em relação a mulheres heterossexuais. Responderam a questionários online 2.006 adultos brasileiros.
Apenas 48% dos entrevistados, um pouco menos da metade, já haviam feito o teste de HIV. Entre 40% que cogitaram fazer, a maioria rejeitou a ideia alegando que “não se consideram em risco”.
Outra constatação foi que19% ainda acreditam que quem vive com HIV não pode manter uma vida sexual ativa, enquanto apenas 29% sabiam que pessoas sob tratamento eficaz e com carga viral indetectável não transmitem o HIV em relações sexuais.
Unaids 2030
Alinhado à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, o Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids prevê uma série de metas para os países visando a erradicação da Aids como ameaça de saúde pública. Mais na agenciabrasil
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