Por Amanda Cruz, de Seabra

Oito dias após se jogar de um ônibus em movimento na BR-242, o passageiro João Paulo Ferreira de Lima, de 34 anos, foi encontrado morto nesta quarta-feira (29), em uma área de mata fechada na Serra da Mangabeira, entre os municípios de Seabra e Oliveira dos Brejinhos. O desfecho trágico encerra uma intensa operação de buscas que mobilizou o Corpo de Bombeiros e moradores locais, ao mesmo tempo em que acirra o conflito de versões entre a família e a empresa de transporte rodoviário. O último contato de João Paulo com os familiares havia ocorrido na noite de terça-feira (21), por volta das 20h, quando informou por telefone que chegaria ao destino final — Salgueiro, em Pernambuco — no dia seguinte. Ele viajava em um ônibus da Viação Catedral que havia partido de São Paulo. Via Bahia Noticias
No entanto, o trajeto sofreu uma reviravolta trágica na madrugada de quarta-feira (22). De acordo com os relatos apurados, o passageiro teria apresentado sinais de um aparente surto psicológico, quebrado o vidro lateral e saltado com o veículo ainda em movimento, adentrando uma região de mata de relevo acidentado nas proximidades de Brotas de Macaúbas. A localização do corpo, em um ponto de difícil acesso na serra, deu-se após dias de varredura intensiva. A operação contou com o esforço coordenado do Corpo de Bombeiros da Bahia e o auxílio fundamental de moradores da região, que rastrearam pegadas e trilhas na caatinga.
Enquanto as autoridades buscam esclarecer a dinâmica, o caso é marcado por acusações cruzadas e contestações severas. A família de João Paulo contesta enfaticamente a tese de que ele sofria de transtornos mentais. Em entrevista ao portal Chapada News, Rosália, irmã da vítima, afirmou que ele nunca havia apresentado quadros semelhantes antes da viagem. Os parentes também criticaram duramente a demora na comunicação do desaparecimento às autoridades e relataram dificuldades para reaver os pertences e malas que ficaram retidos no ônibus.
"Ele nunca teve histórico de surtos ou problemas psiquiátricos. Nós só queremos respostas, entender o que aconteceu de fato naquela madrugada e recuperar os pertences dele que ficaram com a empresa”, relatou Rosália, irmã de João Paulo. Por sua vez, a Viação Catedral emitiu nota oficial rechaçando qualquer omissão de sua parte. A empresa declarou que o motorista seguiu estritamente os protocolos de segurança ao se dirigir imediatamente a um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) logo após o salto do passageiro. No entanto, a companhia alega que a equipe de plantão da PRF se recusou a registrar a ocorrência ou a iniciar as buscas de imediato.
Ainda segundo a nota da empresa, após retornar ao local para atender os demais passageiros que haviam descido, a viação registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil. A Catedral afirmou também que tentou contatar sem sucesso a mãe da vítima utilizando o número fornecido pelas autoridades policiais, prestando atendimento presencial aos parentes apenas quando estes procuraram o guichê.
O corpo de João Paulo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exames periciais. A Polícia Civil da Bahia assumiu as investigações do caso e aguarda o laudo necroquímico para determinar com precisão se a causa do óbito decorreu do impacto direto da queda do veículo ou dos efeitos severos de desidratação e fome durante os oito dias perdido na caatinga da Serra da Mangabeira.
O Corpo de Bombeiros reforçou o alerta sobre os perigos e a hostilidade do terreno na região, reiterando o empenho das equipes nas frentes de salvamento em áreas de difícil acesso no interior baiano.
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