Por Daniel Araújo / BN
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

A pesquisa aponta que gastos inadiáveis, como supermercado, contas recorrentes (água, luz, telefone) e moradia, já representam 57% do orçamento médio mensal, que gira em torno de R$ 3.520. As regiões Sul e Sudeste lideram o ranking de maiores custos no país.
Segundo o IBGE, o rendimento médio do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.722 no primeiro trimestre. Diante do "aperto" nas contas, é comum que muitas famílias busquem crédito ou empréstimos para fechar o mês. O consultor financeiro Raphael Carneiro alerta, contudo, para os riscos dessa prática.
"É preciso ter muito cuidado. O crédito pode resolver o agora, mas é preciso lembrar que ele gera uma parcela que precisará ser paga. Se o mês já não fecha hoje, com o acréscimo de uma dívida, a situação pode virar uma bola de neve", explica o consultor.
Para o consultor, o equilíbrio financeiro depende da manutenção de uma margem de segurança entre receitas e despesas. "O ideal é que as despesas fiquem sempre abaixo das receitas, mantendo uma margem de folga entre 10% e 20%. A partir do momento que essa margem cai ou deixa de existir, é um indicativo claro de que a situação saiu do controle", orienta o profissional.
Ele ressalta que o ideal é realizar cortes preventivos assim que essa diferença diminui, antes que o endividamento se torne um problema instalado.
Carneiro pondera, entretanto, que a gestão financeira não é uma solução universal, dada a realidade socioeconômica do Brasil. "Vivemos em um país desigual. Não podemos esquecer que, para uma grande parcela da população, a renda é tão baixa que não basta apenas cortar gastos; o valor recebido mal cobre o básico para a sobrevivência", destaca.
Para quem possui um cenário mais flexível, o consultor reforça a importância da organização: "Para quem tem uma condição um pouco mais folgada, o foco deve ser a reorganização dos custos para criar essa margem. É isso que permitirá formar uma reserva financeira capaz de suportar altas de preços repentinas sem comprometer a saúde do orçamento a longo prazo", conclui.
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