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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Senado dos EUA aprova limitar ação de Donald Trump no Irã

Resolução aprovada pela casa legislativa determina que Trump obtenha autorização para manter operações militares no país persa
Sofia Pilagallo/sbt
Aprovação de Trump cai para 35% após perda de apoio entre republicanos, aponta pesquisa Reuters/Ipsos | REUTERS/Evan Vucci

O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta terça-feira (23), uma resolução que determina que o presidente Donald Trump obtenha autorização do Congresso para manter operações militares no Irã. A proposta passou por 50 votos a 48 e foi interpretada como uma rara demonstração de autonomia do Legislativo em relação à Casa Branca.

Embora não tenha força de lei e não deva provocar mudanças imediatas na condução do conflito, a medida foi vista como uma das críticas mais relevantes já feitas pelo Congresso à estratégia militar adotada por Trump. Parlamentares afirmam que o texto tem peso político, mesmo sem efeito jurídico direto.

O resultado teve apoio bipartidário. Quatro senadores republicanos se juntaram aos democratas na votação, sinalizando um desconforto crescente dentro da própria base do presidente e expondo tensões internas no Partido Republicano em relação à condução da política externa.

A medida já havia sido anteriormente aprovada pela Câmara dos Representantes, por 215 votos a 208. A deliberação, realizada em 3 de junho, também teve apoio de uma minoria de republicanos, que se juntaram aos democratas na tentativa de restringir os poderes de guerra do presidente.

O cenário político se desenrolou em meio a dúvidas sobre a sustentabilidade do cessar-fogo anunciado recentemente entre EUA e Irã. Apesar da redução das hostilidades após o acordo, cerca de 50 mil militares americanos seguem posicionados no Oriente Médio, o que mantém o nível de alerta na região.

Entre os republicanos contrários à proposta, a iniciativa foi minimizada. O senador Jim Risch, presidente da Comissão de Relações Exteriores, afirmou que a resolução não terá efeito prático e que Trump não deve dar atenção ao texto. Segundo ele, trata-se de um gesto simbólico sem impacto na condução da guerra.

Já os democratas comemoraram a aprovação da medida, que formaliza a oposição do Congresso à decisão de Trump de iniciar a guerra sem autorização legislativa. O partido argumenta que a ação viola uma prerrogativa constitucional do Legislativo e reduz sua participação em decisões sobre conflitos armados.

Esta foi a primeira vez desde a aprovação da Lei dos Poderes de Guerra, em 1973, que as duas Casas do Congresso aprovaram uma resolução conjunta orientando um presidente a encerrar uma ação militar. A legislação foi criada após a Guerra do Vietnã justamente para ampliar o controle do Congresso sobre decisões de guerra, reforçando o papel do Legislativo nesse tipo de decisão.

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