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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Pela primeira vez na história, África terá dez seleções na Copa do Mundo

Da campanha histórica do Marrocos em 2022 ao retorno do Congo após 52 anos, continente chega ao Mundial de 2026 com número recorde de representantes
Foto: Reuters/Folhapress
Por: Izabela Prazeres 
Durante décadas, as seleções africanas foram vistas como surpresas ocasionais em Copas do Mundo. Em 2026, no entanto, o continente chegará ao torneio com uma força inédita. Pela primeira vez na história, dez países africanos estarão presentes no Mundial, um recorde que simboliza não apenas a expansão da competição, mas também a crescente influência da África no futebol internacional.

Marrocos, Senegal, Egito, Argélia, Tunísia, Gana, Costa do Marfim, África do Sul, Cabo Verde e República Democrática do Congo formam a maior delegação africana já vista em uma Copa. O número reflete um continente que há anos exporta talentos para os principais clubes da Europa e que passou a ocupar um espaço cada vez maior nas grandes competições.

Se em 1990 Camarões surpreendeu ao chegar às quartas de final e, em 2010, Gana ficou a um pênalti de alcançar as semifinais, foi em 2022 que o futebol africano rompeu uma barreira histórica. Liderado por Achraf Hakimi, Hakim Ziyech e Yassine Bounou, o Marrocos se tornou a primeira seleção africana a disputar uma semifinal de Copa do Mundo, eliminando Espanha e Portugal pelo caminho.

Quatro anos depois, a sensação é de que aquele feito pode deixar de ser uma exceção. A geração marroquina continua competitiva, enquanto Senegal, Costa do Marfim e Egito chegam embalados por elencos experientes e pela presença constante de jogadores nas principais ligas da Europa.

Retorno do Congo após 52 anos
Mas a história mais simbólica dos africanos nesta Copa talvez seja a da República Democrática do Congo. O time garantiu a última vaga do continente ao derrotar a Jamaica na repescagem intercontinental e voltará ao Mundial após 52 anos. A última participação havia sido em 1974, quando o país ainda se chamava Zaire e se tornou a primeira nação da África Subsaariana a disputar um Mundial.

O retorno acontece em meio a um cenário de instabilidade política, conflitos armados que atravessam o país há décadas e um surto de ebola às vésperas do Mundial. Por isso, a classificação foi celebrada como mais do que uma conquista esportiva. Em Kinshasa, a capital do país, milhares de pessoas foram às ruas após a vitória, transformando o futebol em um momento de união nacional.

A presença de Cabo Verde também ajuda a ilustrar a transformação do continente. Com menos de um milhão de habitantes, o pequeno arquipélago garantiu uma vaga entre os representantes africanos e disputará a Copa do Mundo pela primeira vez.

A ampliação do torneio para 48 seleções abriu espaço para mais representantes, mas a presença africana em 2026 também é resultado de um processo de fortalecimento que vem sendo construído há décadas.

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