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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Megaoperação do Rio: MP-RJ identifica retirada e obstrução de câmeras em mais de 25% dos policiais do Bope

Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) identificou indícios de obstrução intencional de imagens em 7,8% das câmeras corporais analisadas de policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) que participaram da megaoperação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha em 28 de outubro de 2025. A ação deixou 122 mortos, sendo 117 suspeitos e cinco policiais. O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A análise abrange as Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) de 51 policiais do batalhão. Os investigadores identificaram ainda a retirada do equipamento em 17,6% dos casos analisados. Em 11,8% dos registros, havia pessoas feridas, e em todos esses casos os agentes prestaram socorro. O MPRJ destacou que não foram identificadas prisões em nenhuma das gravações dos 51 policiais examinados.

A decisão de iniciar a análise pelos agentes do Bope ocorreu porque os depoimentos colhidos indicam que a maior parte dos policiais que atuaram na mata, onde ocorreu a maioria das mortes, pertencia ao batalhão. No total, o MP-RJ analisa mais de 3.600 horas de gravações produzidas por policiais militares do Rio.

O procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, ressalta no documento que os dados ainda estão em fase "embrionária" e serão analisados em conjunto com os demais elementos produzidos pelas equipes de investigação. Paralelamente, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) segue ouvindo os policiais que participaram da operação e se envolveram em confrontos armados. Até o último relatório enviado ao STF, no mês passado, 204 agentes já haviam sido ouvidos.

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