Método objetivo e quantificável - com captação de sutilezas do movimento - pode auxiliar na precisão dos diagnósticos
Texto: Livia Borges* Arte: Livia Bortoletto**

Atualmente, o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) baseia-se na observação direta do paciente, entrevistas com familiares e testes neuropsicológicos. Como toda metodologia fortemente fundamentada em avaliações comportamentais, estes processos podem apresentar um caráter subjetivo. Por isso, especialistas buscam novas ferramentas que complementem a prática clínica com dados mais objetivos, precisos e quantificáveis.
Nesse sentido, uma pesquisadora Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP avaliou a utilização de um jogo interativo com captação de movimento para analisar padrões motores. O objetivo era verificar se a tecnologia seria capaz de distinguir pessoas com TEA de pessoas neurotípicas, por meio de parâmetros sensório-motores.
O estudo, de Fernanda Orosco Guilherme, com orientação do professor Jorge Alberto de Oliveira, concluiu que o jogo foi eficaz ao identificar o tempo de resposta como um padrão motor relevante. Em comparação com o grupo neurotípico, pessoas com autismo apresentaram respostas significativamente mais lentas em todos os momentos da tarefa.
O achado evidencia o potencial dessa tecnologia como ferramenta complementar às avaliações tradicionais, proporcionando uma metodologia mais engajadora e capaz de captar sutilezas motoras que conferem maior precisão e rigor científico ao processo diagnóstico.
“Jogos sérios”
Os chamados serious games (“jogos sérios”) são jogos, tecnologias e simuladores desenvolvidos com o propósito de treinar, educar, conscientizar ou até reabilitar pessoas, indo além do objetivo recreativo. Nesse contexto, tais ambientes virtuais destacam-se como ferramentas inovadoras e confiáveis para a análise comportamental. Quando aplicados ao TEA, permitem a coleta precisa de dados sobre coordenação motora, equilíbrio, estereotipias e padrões atípicos de movimento, reduzindo a subjetividade das avaliações clínicas tradicionais. Mais no jornal.usp.br
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