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sábado, 30 de maio de 2026

“O Brasil vai virar um pária internacional”, diz Lewandowski após decisão dos EUA

Para Lewandowski, designar PCC e CV como terroristas assustará investidor estrangeiro
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Ex-ministro da Justiça critica família Bolsonaro e alerta para riscos econômicos e jurídicos da classificação norte-americana
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode aumentar os custos de operação de empresas estrangeiras no Brasil e afastar investidores internacionais.

A opinião é do ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que avalia que a medida, divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano na quinta-feira, 28, coloca o país em posição delicada no cenário global.

Risco jurídico para empresas
Lewandowski, que hoje atua na iniciativa privada com consultoria jurídica, afirma que a designação terrorista impõe um tipo de exposição diferente das sanções econômicas tradicionais.

“Elas estarão sujeitas, não a sanções econômicas, administrativas, fiscais ou tributárias — mas a sanções criminais caso se relacionem, ainda que indiretamente, e sem intenção, com uma dessas organizações. Isso é muito grave, não é uma sanção como outras”, declarou à Folha.

Segundo o ex-ministro, o efeito prático será o aumento dos custos operacionais para quem investe no Brasil: “Essa designação vai aumentar os custos das empresas com seguros, compliance e medidas administrativas, pois os cuidados terão que ser redobrados”, afirmou.

Isolamento internacional como cenário
Lewandowski vai além e traça um panorama mais amplo sobre as consequências para a imagem do país. “O Brasil vai virar um pária internacional”, disse, acrescentando que “o país que abriga organizações terroristas assusta os investidores estrangeiros” e que “o custo de investir dinheiro no Brasil vai aumentar”.

Para embasar sua avaliação, o ex-ministro cita precedentes históricos: países como Líbia, Irã e Iraque, após receberem classificações semelhantes, enfrentaram períodos prolongados de dificuldades econômicas.

De acordo com Lewandowski, é necessário que o setor empresarial entenda as consequências da medida: “É preciso que o empresariado compreenda o mal que está sendo feito ao país do ponto de vista econômico”, disse.

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