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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Maio Vermelho | Assim como a pele, lábios podem desenvolver câncer por falta de proteção solar

Muitas vezes negligenciada na rotina de fotoproteção, a boca exige atenção especial contra os danos do sol, alerta especialista do CEJAM
São Paulo, maio de 2026 - A exposição solar sem proteção, comum na rotina de muitos brasileiros, pode representar um risco silencioso para o desenvolvimento do câncer de boca, especialmente nos lábios. A relação entre radiação ultravioleta e lesões malignas ganha destaque durante o Maio Vermelho, campanha de conscientização voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença.

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o Brasil registra cerca de 15 mil novos casos desse tipo de câncer, por ano. Além disso, o diagnóstico costuma ocorrer tardiamente, o que compromete as chances de cura e pode impactar nos resultados do tratamento.

A cirurgiã-dentista Lígia Gonzaga Fernandes, do CEO II Vera Cruz, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) e gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim", explica que a exposição solar crônica sem proteção está diretamente ligada, principalmente, ao câncer de lábio inferior, região mais atingida pela radiação UV.

“A radiação ultravioleta provoca danos cumulativos no DNA das células ao longo dos anos, favorecendo mutações e alterações no controle da proliferação celular”, afirma a especialista. Segundo ela, o processo ocorre de maneira lenta e silenciosa. “O sol atua como um agente carcinogênico crônico. A célula vai acumulando danos até perder sua capacidade normal de controle e passar a replicar essas alterações”, diz.

Pessoas que trabalham diariamente ao ar livre estão entre os grupos mais vulneráveis. Ainda assim, muitos desconhecem que mudanças aparentemente simples podem representar um sinal de alerta.

Ressecamento persistente, descamação, fissuras, crostas e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas estão entre os principais sintomas iniciais. A especialista destaca que nem sempre os sinais aparecem juntos e que a ausência de dor costuma atrasar a busca por atendimento. “Muitas vezes o paciente espera sentir dor para procurar ajuda, mas essas lesões podem evoluir sem provocar desconforto”, explica.

Lesões dentro da boca também merecem atenção. Feridas que não cicatrizam em até 10 dias, placas brancas, áreas endurecidas, dormência e dificuldade para falar, mastigar ou engolir devem ser avaliadas clinicamente. De acordo com a profissional, o histórico de exposição solar associado a alterações nos lábios já exige investigação mais cuidadosa. “Nem toda ferida é câncer, mas toda ferida que não cicatriza deve ser avaliada”, ressalta.

Além da exposição solar sem proteção, o câncer de boca está relacionado ao tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, infecção por HPV, má higiene oral e alimentação inadequada. A especialista observa que o álcool potencializa os efeitos carcinogênicos do cigarro, aumentando ainda mais o risco de desenvolvimento da doença.

A prevenção inclui medidas relativamente simples, mas que ainda são pouco incorporadas à rotina da população. O uso diário de protetor labial com FPS, filtro solar corporal, chapéus de aba larga e roupas com proteção UV ajuda a reduzir os danos causados pela exposição prolongada ao sol.

A profissional também defende o acompanhamento odontológico regular e reforça que a identificação de alterações ainda em estágio inicial faz diferença decisiva no prognóstico.

Ainda conforme o INCA, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso do tratamento. “Quando o câncer é identificado no início, as chances de cura podem ultrapassar 80% a 90%”, afirma Ligia. Ela explica que, nesses casos, os tratamentos costumam ser menos agressivos e permitem maior preservação da fala, da mastigação e da deglutição.

Mais do que ampliar informação, a campanha de Maio Vermelho busca estimular o cuidado em relação à saúde bucal. Em um país com alta incidência de radiação solar durante todo o ano, observar alterações persistentes nos lábios e na boca e procurar avaliação profissional é essencial para a manutenção da qualidade de vida.

Sobre o CEJAM
O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado novamente, em 2026, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.

Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!

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