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terça-feira, 7 de abril de 2026

Infecções íntimas: Quais as mais comuns e como prevenir

Ao contrário do que muita gente imagina, a maioria dessas infecções são comuns e ocorrem devido ao desequilíbrio do próprio organismo
O desconforto começa de forma sutil: uma leve coceira, uma alteração na cor do corrimento ou um odor mais forte. Para muitas mulheres, esses sinais são o primeiro alerta de uma infecção íntima.  Fonte: CNN Brasil

Segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de três em cada quatro mulheres terão pelo menos um episódio de infecção vaginal ao longo da vida.  

Ao contrário do que muita gente imagina, a maioria dessas infecções são comuns e ocorrem devido ao desequilíbrio do próprio organismo. Entender as causas e identificar os sintomas precocemente é fundamental para evitar complicações.

A seguir, veja quais são as infecções íntimas mais comuns, por que elas acontecem e como preveni-las.

Candidíase
A candidíase é causada pelo fungo Candida albicans, que já faz parte da flora vaginal. O problema surge quando há um desequilíbrio que permite a proliferação excessiva do fungo.

Entre os principais sintomas estão:
Coceira
Vermelhidão na região íntima
Corrimento branco e espesso
Ardor ao urinar ou durante a relação sexual

A candidíase pode ser desencadeada por fatores como uso de antibióticos, alterações hormonais, gravidez, diabetes, estresse e baixa imunidade.

“Se houver alteração da flora intestinal, o uso de medicação que diminui o trânsito intestinal, igual agora que está tendo uma onda de gente usando ‘canetinha emagrecedora’, isso pode trazer alteração impacto vaginal. Piora da imunidade, estresse, alimentação muito focada em carboidrato e açúcar, tudo isso é combustível para o fungo”, explica Aline Marques, ginecologista do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Evitar roupas muito apertadas, preferir calcinhas de algodão, manter a região seca e evitar duchas vaginais internas ajudam a reduzir o risco. Também é importante controlar doenças como diabetes e evitar automedicação.

Vaginose bacteriana
A vaginose bacteriana ocorre quando há um desequilíbrio das bactérias naturais da vagina, com aumento de microrganismos como a Gardnerella vaginalis.

Os sintomas mais característicos são:
Corrimento acinzentado ou esbranquiçado
Odor forte, principalmente após a relação sexual
Diferentemente da candidíase, a vaginose costuma causar pouca ou nenhuma coceira.

A condição não é considerada exatamente uma infecção sexualmente transmissível (IST), mas a atividade sexual pode influenciar o desequilíbrio da flora vaginal.

Para prevenir é importante evitar duchas vaginais, não usar sabonetes íntimos agressivos e utilizar preservativo nas relações sexuais.

“O uso de duchas vaginais é o principal hábito que pode contribuir para alterações na flora vaginal. Isso porque na vagina saudável existem bactérias protetoras, os Lactobacilos, que mantém o pH vaginal ácido e impedem o crescimento de bactérias patogênicas. A ducha os remove e facilita o aparecimento de infecções. Outros hábitos como a colocação de cremes vaginais ou de produtos sem orientação do ginecologista também podem alterar a flora. Alguns estimulantes sexuais também podem ser irritantes e alterar a flora. O banho diário simplesmente é o melhor cuidado para os genitais”, detalha Iara Moreno Linhares ginecologista e membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo.

Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
Algumas ISTs também podem provocar sintomas na região íntima. 

Entre as mais comuns estão:
Clamídia
Gonorreia
Tricomoníase

Essas infecções podem causar corrimento anormal, dor pélvica, sangramento fora do período menstrual e dor durante a relação. Em muitos casos, no entanto, são assintomáticas, aumentando o risco de transmissão e de complicações, como infertilidade e doença inflamatória pélvica.

O uso de preservativos é a principal forma de prevenção. Exames ginecológicos regulares também são essenciais para diagnóstico precoce.

Infecção urinária
Embora não seja uma infecção vaginal, a infecção urinária é frequentemente confundida com problemas íntimos por causa da proximidade anatômica.

Ela é causada, na maioria das vezes, pela bactéria Escherichia coli, presente no intestino, que alcança o trato urinário.

Os sintomas mais comuns são:
Ardor ao urinar
Vontade frequente de urinar, mesmo com pouca quantidade
Dor na parte inferior do abdômen
Urina turva ou com odor forte

As mulheres são mais vulneráveis devido à uretra mais curta, o que facilita a entrada de bactérias.

“É muito comum confundir infecção urinária com candidíase, porque geralmente os sintomas podem ser muito semelhantes no sentido da dor ao fazer xixi. A infecção urinária ela arde quando sai na uretra, já a infecção vaginal arde quando a urina passa pela pele que está machucada. O que vai mostrar essa diferença é o exame clínico e muitas vezes é necessário fazer um exame de urina para confirmação mais correta”, acrescenta Marques.

Beber bastante água, não segurar a urina por longos períodos, urinar após a relação sexual e realizar a higiene íntima sempre da frente para trás são medidas eficazes.

Por que as infecções acontecem?
A vagina possui uma microbiota natural composta principalmente por lactobacilos, que ajudam a manter o pH ácido e protegem contra microrganismos nocivos. Alterações hormonais, uso de medicamentos, estresse, higiene inadequada e relações sexuais desprotegidas podem romper esse equilíbrio.

Cada tipo de infecção tem causas específicas, mas o fator comum é o desequilíbrio da flora vaginal ou a exposição a agentes infecciosos.

Os principais fatores de risco incluem:Umidade excessiva: manter biquínis molhados por muito tempo ou usar protetores diários que impedem a ventilação.
Higiene inadequada: tanto a falta quanto o excesso (duchas vaginais internas são contraindicadas por ginecologistas, pois removem a proteção natural).
Alterações hormonais: gravidez, menopausa ou o ciclo menstrual alteram o ambiente vaginal.

“As infecções genitais, se não forem corretamente diagnosticadas e tratadas, podem atingir o trato genital superior (útero e tubas uterinas), causar inflamação e consequente infertilidade”, acrescenta Linhares.

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