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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Ex-secretário de Bolsonaro atua na defesa de Vorcaro com pagamentos de R$ 3,8 milhões

Por Thaísa Oliveira | Folhapress
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
O ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Jair Bolsonaro (PL) e ex-assessor do PL Fabio Wajngarten está trabalhando na defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, por meio de sua empresa, a WF Comunicação.

Documentos enviados pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado do Senado indicam que a WF Comunicação recebeu ao menos R$ 3,8 milhões do Master no ano de 2025. Não há dados de 2026.

Wajngarten afirma ter sido contratado pelo banco no primeiro semestre do ano passado por indicação dos advogados de Vorcaro. Ele diz que, desde então, atua diretamente com a defesa, participando de reuniões em que são discutidas as estratégias de comunicação do dono do Master.

"O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão pela qual não pode ser publicizado. Além disso, não sou sequer mais politicamente exposto, já que saí de qualquer cargo público há mais de cinco anos", disse, em nota.

O ex-secretário de Bolsonaro não informou quem o indicou para Vorcaro no primeiro semestre de 2025. Diversos advogados passaram pela defesa do ex-banqueiro ao longo do último ano, entre eles Walfrido Warde, Pierpaolo Bottini, Roberto Podval e Sérgio Leonardo. Atualmente, a defesa do ex-banqueiro é feita por Leonardo e por José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca.

Hoje preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, Vorcaro negocia um acordo de delação premiada. Ele foi preso pela primeira vez em novembro passado, quando a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Compliance Zero, e o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

Braço-direito de Bolsonaro, Wajngarten transita entre políticos e veículos de comunicação e tem feito a gestão da crise de imagem do Master.

Ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social e ex-número dois do Ministério das Comunicações, ele se tornou um dos principais expoentes do bolsonarismo. Atuou como assessor direto do ex-presidente para assuntos com a imprensa.

Com o fim do governo Bolsonaro, se tornou assessor do PL, mas foi demitido em maio do ano passado, após serem divulgadas mensagens dele com críticas a uma possível candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à Presidência.

Os documentos do Master enviados ao Congresso pela Receita Federal apontam repasses milionários a escritórios de advocacia e empresas ligadas a Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (União Brasil), ACM Neto (União Brasil) e os ex-ministros Guido Mantega, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

Os dados mostram valores pagos pelo Master desde 2022, sem correção pela inflação, e não há detalhes sobre o que motivou os pagamentos.

Como mostrou a Folha, o Master pagou cerca de R$ 80 milhões em 2024 e 2025 para o escritório da mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados.

Parte dos valores repassados pelo Master às empresas e políticos ficou retido por cobrança de impostos retidos na fonte.

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