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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Cigarrinha-do-milho causa prejuízo de R$ 33,6 bilhões ao ano

As perdas acumuladas pela cigarrinha-do-milho nas lavouras brasileiras entre as safras de 2020 e 2024 atingiram US$ 25,8 bilhões, o equivalente a mais de R$ 134,16 bilhões.
Foto: © Charles Oliveira/Embrapa
A cigarrinha-do-milho, principal pesadelo sanitário dos produtores, causa um prejuízo anual estimado em R$ 33,6 bilhões (US$ 6,5 bilhões) às lavouras brasileiras, segundo estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgado nesta terça-feira (7). Redação Folha

Impacto financeiro e na produção
As perdas acumuladas pela cigarrinha-do-milho nas lavouras brasileiras entre as safras de 2020 e 2024 atingiram US$ 25,8 bilhões, o equivalente a mais de R$ 134,16 bilhões. Esse impacto reflete uma perda média de produção de 22,7% no período, o que corresponde a cerca de 31,8 milhões de toneladas de milho por ano, ou aproximadamente 2 bilhões de sacas de 60 quilos que deixaram de ser produzidas. Além da redução na produtividade, os custos com a aplicação de inseticidas para controlar o Dalbulus maidis, nome científico da praga, aumentaram 19% no mesmo período, superando US$ 9 (R$ 46) por hectare.

Origem e participantes do estudo
As estimativas foram divulgadas em um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, nesta terça-feira (7). O levantamento foi publicado na edição de abril da revista científica internacional Crop Protection.

A pesquisa utilizou dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ligada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, desde 1976, para calcular os danos causados pelos enfezamentos do milho, doença transmitida pela cigarrinha. Participaram do estudo especialistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Ameaça ao milho brasileiro
A Embrapa classifica a cigarrinha-do-milho como “o maior desafio sanitário do sistema produtivo de milho no Brasil das últimas décadas”. O levantamento foi realizado em 34 municípios que representam as principais regiões produtoras do país. De acordo com Charles Oliveira, pesquisador da divisão Cerrados da Embrapa, em cerca de 80% das localidades avaliadas, a cigarrinha ou os enfezamentos foram apontados como fator central para a queda de produtividade.

A cigarrinha-do-milho adquire os patógenos causadores do enfezamento ao se alimentar em plantas infectadas e os transmite para plantas sadias. A doença se manifesta de duas formas, pálido e vermelho, alterando a coloração da planta, provocando o aparecimento de estrias e afetando a produção de grãos. Oliveira destaca que não há tratamento preventivo para o enfezamento, o que pode levar à perda total das lavouras.

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