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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

ITABUNA-BA: Celebra Matrizes Africanas exalta o respeito à religião do povo de santo

O respeito à religião do povo de santo foi a tônica do 3º Celebra Matrizes Africanas promovido pela Prefeitura de Itabuna, através da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), na tarde e noite de sábado, dia 31, no Centro de Cultura Adonias Filho, evento de fé e de valorização da cultura ancestral de matriz afro-brasileira.

Depois de concentração e cânticos ao som de atabaques na Praça Prefeito José de Almeida Alcântara (Jardim do Ó), sacerdotes, sacerdotisas e fiéis de terreiros de candomblé participaram de roda de conversa no auditório do Centro de Cultura a participação de 11 representantes de instituições religiosas cristãs, espíritas e afro-brasileiras, da subseção da OAB, do Conselho Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (COMPPIR) e do LAIKOS da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

O vice-prefeito e secretário municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (SEMP), Josué Brandão Júnior, afirmou que a roda de conversa se destinou a ouvir os representantes da sociedade sobre o respeito que se deve ter a todas as religiões. “Nos cinco anos da gestão do prefeito Augusto Castro (PSD) há contribuições importantes e ações afirmativas”, declarou.

Lembrou o cumprimento pela Secretaria Municipal da Educação da legislação que prevê a inclusão de conteúdos relativos à história e cultura africana, afro-brasileira e indígena na educação escolar como previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nº 9.394/1996). Também citou programas e serviços da Secretaria Municipal de Saúde dedicados a esse público e aos ciganos e de políticas públicas de combate ao racismo e à intolerância religiosa.

Os representantes da OAB, advogados Jailton Alves (Presidente da Comissão de Cultura) e Viviane Costa Santana (Presidente da Comissão de Igualdade Racial), foram enfáticos no combate ao racismo, tendo citado casos de repercussão, como o que envolveu uma turista gaúcha em Salvador, o fato de o Estado Brasileiro ser laico. “Não é favor se respeitar as religiões de matriz africana, é direito consagrado na Constituição Federal de 1988”, disse a advogada.

O diácono da Diocese de Itabuna, Othon Dantas, afirmou que apesar dos avanços científicos e tecnológicos experimentados pela sociedade, em pleno século XXI, ainda se vê casos de intolerância religiosa. “A educação em casa, no seio da família e na escola pode contribuir para que esses preconceitos sejam vencidos. É preciso que se fale no cotidiano que racismo e intolerância religiosa são crimes que devem ser combatidos”, falou.

Já o pastor Geraldo Meireles, líder da Igreja Batista Teosópolis, considerou um avanço a roda de conversa promovida pela FICC ao realizar o Celebra Matrizes Africana ouvindo representantes de várias correntes do pensamento, incluindo pessoas de terreiro. “É um reconhecimento da ancestralidade num país laico onde todos têm o direito de ter sua opção de religiosidade. Temos tempo para as redes sociais e quase nenhum tempo para dialogar com os filhos e os pais, tios e avós sobre variados temas sociais, inclusive a fé”, afirmou.

“Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas, sim, em si mesmo”, disse o reverendo Batista, utilizando uma citação do teólogo católico Santo Agostinho. “Então, precisamos crer no evangelho no dia a dia. Com encontros, sinceridade e diálogos como esse e políticas públicas contra a intolerância e o racismo, vocês encontrarão fraternidade e amor e vencerão”, disse.

“A roda de conversa foi muito esclarecedora, difusão do pensamento sobre o respeito às pessoas e às religiões no Celebra Matrizes Africanas. O respeito permeou a maioria das falas e o diálogo na roda de conversa. O que a gente precisa é colocar na cabeça das pessoas a importância de respeitar o próximo”, disse o presidente da FICC, Aldo Rebouças.

“ Portanto, agora é hora de celebrar com três grandes atrações como a Banda Filhos de Neguinha e a Orquestra Gongombira de Percussão, de Ilhéus, criada por filhos do Terreiro Matamba Tombenci Neto, fundado no século 19 e a cantora e compositora Mariene de Castro”, finalizou.

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