terça-feira, 30 de outubro de 2018

Jornalistas são agredidos por apoiadores de Bolsonaro após resultados das eleições

Pelo menos sete jornalistas foram intimidados ou agredidos fisicamente após o anúncio do resultado das eleições na noite desse domingo (28). Em todos os casos registrados pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a violência partiu de apoiadores do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

De acordo com a associação, um repórter foi ameaçado pelo deputado federal Marcio Labre (PSL-RJ) através do Twitter. Na madrugada de segunda-feira (29), João de Andrade Neto postou em seu perfil que "fascismo não se aceita, se combate". Em resposta, o parlamentar disse que "se transgredir a lei e a ordem, vai conhecer a mão pesada do estado".

Imagens: Reprodução / Abraji
Quem também proferiu ofensas a jornalistas foi Carlos Eduardo Guimarães, assessor de imprensa de Bolsonaro. Por meio de uma lista de transmissão no WhatsApp, ele enviou "vocês são o maior engodo do jornalismo do Brasil". No dia seguinte, ele compartilhou uma nota com um pedido de desculpas, pontuando que "atacar ou desmerecer quaisquer profissionais" não é a orientação dos deputados Jair Messias Bolsonaro e do deputado Eduardo Nantes Bolsonaro.

A Abraji cita ainda que, em Fortaleza, um profissional do jornal O Povo foi agarrado pelos braços por eleitores de Bolsonaro enquanto fazia a cobertura da comemoração da vitória no comitê do político. Uma repórter da TV Verdes Mares foi agredida verbalmente no mesmo contexto e o carro da emissora foi atingido com pedras.

Em São Paulo, a repórter Anna Virginia Balloussier, da Folha de S. Paulo, foi cercada e hostilizada por eleitores de Bolsonaro durante a festa de comemoração na Avenida Paulista.

Em Santos, um cinegrafista e um repórter da TV Tribuna e uma fotógrafa do jornal A Tribuna também foram hostilizados e precisaram deixar a Praça da Independência, onde ocorria uma comemoração.

No Rio de Janeiro, a jornalista Mellyna Reis foi hostilizada por eleitores que celebravam em frente ao condomínio de Bolsonaro na Barra da Tijuca. Durante uma transmissão ao vivo, ela foi chamada de "vagabunda" e "mentirosa" por uma mulher que estava no local. Ainda nessa noite, ao acompanhar membros da equipe do novo presidente a um hotel próximo ao condomínio, Mellyna e outros colegas foram cercados e agredidos verbalmente, tendo suas gravações prejudicadas.

Com a soma desses casos, a Abraji contabiliza 150 casos de violência contra jornalistas no âmbito das eleições. Desse total, 69 agressões foram físicas e 81 digitais. A associação repudia as agressões e intimidações contra os profissionais.

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