sábado, 8 de julho de 2017

BA: Cesta do Povo demite 1.500 funcionários e pode fechar as portas

Dívida chega a R$ 300 milhões
R$ 300 milhões em dívidas, 1.500 demitidos e um prejuízo emocional e financeiro para os trabalhadores. "Cinco já morreram de infarto por conta da demissão. Muitos perderam plano de saúde. A situação está crítica", afirmou o presidente da Associação Baiana de Trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo (Abtec), Francis Tavares, em conversa com o BNews, na manhã deste sábado (8).

Segundo ele, a Cesta do Povo, criada em 1979, passou por graves problemas de gestão, o que desencadeou uma crise sem precedentes. Ele revela que, em 2015, houve a possibilidade da compra da Cesta pelo grupo Cencosud, ação que não foi executada já que o sistema financeiro de Nova York proibiu a aquisição. "Deixamos de vender barato, de comparar os peços do mercado e monitorar a economia dos municípios. Hoje, quem vai querer pagar uma dívida de R$ 300 milhões avaliada em 2016, com fornecedores e passivos trabalhistas? Os funcionários estão há dois anos sem receber reajuste salarial e o governo não assinou a convenção coletiva", ressaltou Francis.

Em 2 de outubro de 2015, um decreto foi assinado pelo governador Rui Costa (PT), dando seguimento ao processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos S/A (Ebal). No documento, o governador aprova "a avaliação econômico-financeira atribuída à Ebal nos termos do relatório conclusivo elaborado, com base em estudos de consultoria especializada".

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) calculou um rombo acumulado na Ebal de, pelo menos, R$ 381,8 milhões no governo de Jaques Wagner. O valor corresponde à soma dos repasses feitos pelo Estado entre os anos de 2007 e 2014 apenas para manter a Ebal em funcionamento.

Única rede de supermercados estatal no Brasil, o empreendimento tinha acumulado um prejuízo de R$ 750 milhões. No ano passado, a situação piorou e a Empresa Bahiana de Alimentos – Ebal, controladora da Cesta do Povo, amargou uma perda de R$ 158,1 milhões. O leilão público proposto pelo governo possuía uma cláusula que permita a absorção de um percentual mínimo de funcionários pelos novos empreendedores, mas a estrutura de 276 lojas e 2.769 funcionários em 229 municípios, não despertou o interesse de nenhum comprador para o lance mínimo exigido para a venda na época, R$ 81 milhões.

"Quero que a Cesta do Povo seja liquidada, mas que haja recolocação no mercado dos concursados. 1.200 estão na ativa, mas precisamos da reintegração, além de garantir o plano de saúde para todos. Isso aconteceu com a EBDA. Os concursados foram relocados para a Fundação Luís Eduardo Magalhães e para a recente Bahiater", explicou.

Tavares compara ainda a situação da Cesta do povo com a do Hospital Espanhol. "A Cesta do Povo pode sim fechar as portas. Queremos garantir os direitos com as vendas do bens", afirmou, alegando que há mais de mil processos trabalhistas em andamento. Uma reunião está marcada na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) para discutir a situação.

Leilão remarcado
Pensando na garantia dos direitos dos trabalhadores, a Associação entrou com uma ação no Ministério Público contra um leilão de bens, marcado para o próximo dia 11. "O leilão é sobre os bens da Ebal, no valor mínimo de R$ 2 milhões. A Ebal contratou um leiloeiro e não publicaram um edital com uma justificativa prévia para que seria este leilão. Tive a informação de que este dinheiro seria para financiar novas demissões", relatou o presidente da Abtec.

Com isso, o MP fez a recomendação à Ebal, que desmarcou o leilão. De acordo com Francis, ainda não há uma nova data marcada. A reportagem tentou falar com a assessoria da Secretária de Desenvolvimento Econômico (SDE), cuja gestão atual é do ex-ministro e ex-governador Jaques Wagner, mas as ligações, bem como as mensagens, não tiveram êxito até o fechamento desta matéria. 

Em maio deste ano, em nota ao BNews, a SDE afirmou que o plano ainda é privatizar a Cesta do Povo, no entanto, não há uma data prevista para a realização de um novo leilão do órgão.

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