sexta-feira, 30 de junho de 2017

Rota é denunciada por suposta tortura com martelo a jovem morto

Lucas Borges Teixeira*Colaboração para o UOL
ROGÉRIO DE SANTIS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem mostra martelo e marcas de sangue após a morte de Leandro de Souza Santos, na Favela do Moinho

A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo recebeu denúncias de que o jovem Leandro de Souza Santos, de 18 anos, foi torturado antes de ser executado pela polícia na noite da última terça-feira (27), na favela do Moinho, em São Paulo. Os casos foram enviados ao Ministério Público e à Corregedoria da Polícia Militar.

Na noite de terça, Leandro, de 18 anos, foi morto com cinco tiros durante uma perseguição de policiais da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) na favela do Moinho, região central de São Paulo. Os militares alegaram que só começaram a atirar após serem alvos de tiros. Não há registro de policiais feridos.

A Ouvidoria, no entanto, recebeu relatos diferentes. "Os moradores alegam o inverso", afirma o ouvidor Julio Cesar Fernandes Neves. "Estive no local no dia. Várias pessoas, entre eles parentes, como a mãe e o irmão, falaram que o jovem foi torturado e depois morto."

O objeto da tortura seria um martelo, encontrado ensanguentado no local. No entanto, ele não foi recolhido pela perícia. "O martelo só foi levado depois, por outras pessoas. Não sei como isso aconteceu", afirma o ouvidor.

As denúncias aconteceram logo depois do crime, também, pela família do jovem. Segundo o irmão, Lucas Santos, Leandro correu quando viu a chegada da polícia e entrou na casa de uma vizinha. "A Rota entrou, e dentro da casa tinha umas três crianças e uma mulher. Deram cinco disparos nele", relatou, segundo a Agência Brasil. O irmão destaca que o jovem era usuário de drogas, mas que "estava bem" e "só faz mal a si mesmo".

Lucas questiona a informação que Leandro tenha reagido porque, segundo ele, eram mais de 20 policiais na ação. De acordo o irmão, o jovem foi também ferido com o uso de um martelo. "Deram uma martelada. Eu vi sujo de sangue lá", apontou. 

Esta não é a primeira vez que dois dos policiais que participaram da ação são denunciados na Ouvidoria por casos que envolvam óbito. José Carlos Paulino tem um protocolo aberto em 2009 e P. R. Alvarenga de Andrade tem dois, de 2014 e 2015. "Hoje, isso é chamado de 'morte decorrente de oposição à intervenção policia'l, mas é o famoso 'resistência seguida de morte'", explica Neves. Os casos foram arquivados. "A maioria é. É bem difícil algum que chegue ao tribunal de júri".

As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público de São Paulo, ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, responsável pelo caso, e para a Corregedoria da Polícia Militar. O MP confirmou o recebimento do ofício na tarde de ontem (29) e deverá dar prosseguimento ao caso.

"Precisa ser apurado", afirma Neves. "Não é aceitável que aconteça crime de tortura no maior Estado da nação. É importante lembrar que isso não é aceito nem em guerra."

A Secretaria de Segurança Pública foi procurada pela reportagem, mas não se posicionou até a publicação da matéria.

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