domingo, 30 de abril de 2017

As reformas propostas por Temer prejudicam os pobres?

“As propostas levam o trabalhador a ser coagido pelas empresas e excluem da Previdência os mais frágeis, sem estudar o impacto disso”
MARCELO MOURA E MARCOS CORONATO
Clemente Ganz Lúcio
é cientista social e diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) (Foto: Roberto Navarro / Ag. Senado )

ÉPOCA – Qual é o impacto das reformas propostas pelo governo federal sobre os pobres?
Clemente Ganz Lúcio – A regra proposta para a Previdência exclui os mais frágeis. Estimamos que um terço da população hoje com mais de 55 anos, ao chegar aos 65, não terá cumprido 25 anos de contribuição [o mínimo para requerer a aposentadoria]. São pobres, que transitam entre ocupações precárias, entre os mercados formal e informal. Numa vida laboral de 30, 40, 50 anos, não acumulam 25 anos de contribuição. E o sistema não compensa isso com assistência. O governo poderia dizer: quem não tiver aposentadoria tem assistência. Mas não, diz o contrário. Os miseráveis terão alguma assistência aos 68 anos. Os que não chegam a ser miseráveis ficarão desassistidos. Diz o governo: “Se ele tem 20 anos de contribuição, pode trabalhar mais cinco e chegar aos 25 de contribuição”. Os dados nos dizem que 80% dos que seguem trabalhando após os 65 anos ficam na informalidade. Qual é a chance de esse cidadão, que não cumpriu o tempo de contribuição mínimo ao longo da vida, conseguir na velhice inserção no mercado formal? Leia tudo em http://epoca.globo.com

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