sábado, 28 de fevereiro de 2015

Ex-zagueiro da Seleção aparece em dossiê de contas secretas

THIAGO BRONZATTO
O ex-zagueiro Roque Junior, em foto de junho de 2014 (Foto: Cameron Spencer/Getty Images)
O ex-zagueiro da Seleção Brasileira Roque Junior sofreu uma forte marcação dos auditores da Receita Federal no início do ano. O motivo: seu nome constava da lista de 342 brasileiros que mantinham contas secretas no banco HSBC na Suíça em 2006 e 2007. O vazamento inédito dessa relação de pessoas, que ficou conhecido como SwissLeaks, levou o Fisco a iniciar uma investigação em janeiro. ÉPOCA teve acesso aos dados dos 342 correntistas brasileiros e ao relatório de inteligência produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), destinado à Receita em 12 de fevereiro - que aponta os primeiros suspeitos do caso SwissLeaks.

O ex-atleta, demitido do comando do XV de Piracicaba neste mês, foi citado no documento apenas por estar ligado a uma operação suspeita realizada pelo ex-presidente do seu time de futebol, o Primeira Camisa, em São José dos Campos, interior de São Paulo. “Ele foi relacionado apenas por ter sido citado no cadastro do titular da comunicação (de movimentação atípica), mas não teria mantido transações financeiras no período comunicado”, diz o documento. Procurado, Roque Junior não retornou até a publicação desta reportagem.

Além do ex-jogador, outros nomes passaram por uma varredura dos auditores da Receita. Há esportistas, empresários, jornalistas, doleiros e pessoas que ocuparam cargos públicos. Mas nem todos apresentaram indícios de irregularidades. Afinal, ter conta na Suíça não é ilegal, como concluiu o próprio Fisco na análise do caso de Roque Júnior.

Até o momento, a Receita identificou 15 suspeitos -- que já tiveram algum tipo de movimentação bancárias atípica ou que já estiveram na mira da Polícia Federal. É o caso do doleiro Dario Messer. Alvo da Operação Sexta-Feira 13, deflagrada em 2009, ele foi investigado por suspeita de formação de quadrilha, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Antes disso, em 2005, o doleiro fora citado na CPI dos Bingos como o operador do PT, responsável por esquentar doações ilegais feitas ao partido. Outro suspeito é o empresário carioca Mário Manela. De acordo com relatório de inteligência do Coaf, ele teria ligações com irregularidades praticadas pelas empresas Barenboim e M Brasil Empreendimentos Marketing e Negócios. Essa última companhia, de fachada, estaria relacionada com desvios de recursos do fundo de pensão Cibrius, dos servidores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A M Brasil também é acusada de realizar doação ilegal para uma campanha eleitoral. Segundo consta no documento da Receita, o HSBC não registrou nenhuma transação de remessa de recursos para Suíça em nome de Manela, o que deixou os auditores de orelha em pé.

O SwissLeaks veio à tona no início deste ano, após documentos entregues por um ex-funcionário do HSBC a autoridades francesas em 2008 vazarem para o jornal francês Le Monde -- que compartilhou o material com um grupo internacional de jornalistas investigativos conhecido como Icij (na sigla, em inglês). Em pouco tempo, o caso se tornou público e ganhou notoriedade no mundo inteiro. O vazamento inédito de dados bancários do inextricável sistema bancário Suíço desnudou 106 mil clientes em todo mundo e trouxe à tona depósitos de cerca de 100 bilhões de dólares. No Brasil, as informações foram reveladas pelo jornalista Fernando Rodrigues, do site UOL. Segundo ele, os 8.667 correntistas brasileiros identificados até o momento mantinham cerca de 7 bilhões de dólares em depósitos em 2006 e 2007. Isso acendeu o sinal de alerta da Receita, que recebeu uma relação de 342 nomes de brasileiros para que pudesse fazer um pente-fino. Os auditores do fisco cruzaram esses dados com os do sistema do Coaf. Após uma série de filtros, chegaram a um grupo de 15 suspeitos – que estão na mira da Receita, conforme revelou ÉPOCA na edição deste fim de semana.

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