terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Boechat chama cantor de “vagabundo” e “assassino”

Ricardo Boechat é o âncora brasileiro com mais contundência nos comentários que faz. Pode-se dizer também o de coragem mais evidente na exposição do que pensa. Recusando-se a ser refém dos textos do teleprompter e da ideologia do politicamente correto, o jornalista aproveita a liberdade conferida a ele no Jornal da Band para emitir opiniões inimagináveis na bancada de outros telejornais. Um exemplo aconteceu na noite de segunda-feira (29). O apresentador classificou o cantor Renner de “vagabundo”, “assassino” e “criminoso” ao comentar a prisão do sertanejo na sexta-feira (26), por dirigir embriagado e bater o carro em outro veículo, treze anos após provocar a morte de um casal em uma rodovia do interior paulista. Na verdade, as palavras foram ditas no plural. Aplicaram-se também ao motorista responsável pelo acidente que matou, no domingo (28), pai e filha de 2 anos na zona norte de São Paulo — o acusado já havia provocado, também ao volante, a morte de uma mulher em 2008. Ao verbalizar sua indignação, às vezes com virulência, ainda que sem desbancar para o populismo, Ricardo Boechat dá voz aos milhões de telespectadores igualmente revoltados. De certa maneira, ele atua como expurgador da aversão coletiva contra males crônicos da sociedade, como a impunidade. Boechat dá a cara a tapa. Tornou-se, intencionalmente ou não, o âncora mais destemido e combativo do telejornalismo brasileiro. Já ganhou tantos prêmios que passou a ser considerado hors concours pela organização de alguns deles. Tamanha liberdade de expressão tem um preço, literalmente. O jornalista é réu em mais de 50 processos por danos morais, cujos reclamantes exigem indenizações. A Band oferece o suporte jurídico e, tão importante quanto, o apoio editorial para que seu principal âncora não arrefeça. Com o noticiário tomado por violência, corrupção e outras mazelas, tomara que nós, telespectadores e cidadãos, continuemos a levar sacudidas de Boechat. O dia no qual deixarmos de, assim como ele, nos indignar, será a vitória do caos e a banalização completa do jornalismo. (Terra)

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